Lion, França (ou o paraíso dos queijos)

No dia seguinte, consegui uma “carona” pelo aplicativo BlaBlaCar (geralmente fica bem mais barato que ônibus e muito mais rápido!) para ir até Lion, mais ao sul. Por sorte o dono do carro era um cara da minha idade e dramaturgo da Escola Nacional de Teatro, que estava indo fazer uma peça numa cidade mais ao sul de Lion e ele falava bastante bem o inglês, para um francês… 🙂

Assunto interessante e boa música, não faltou (já que ele também curte muito jazz). No carro, haviam outras duas mulheres que também estavam indo de carona, mas que falavam quase nada de inglês. Foram quase 5 horas de carro e felizmente o motorista me deixou na porta da casa que eu iria ficar!

Um amigo de Paris me ajudou a encontrar algumas pessoas que estavam envolvidas com o forró na região para me hospedarem e foi aí que conheci uma família muito bacana! Roland e sua esposa Sandrine e as filhas adolescentes. Sandrine e uma amiga dão aulas de forró em Lyon e são apaixonadas pela cultura brasileira. Ela e as filhas falam muito bem o inglês, mas o marido que é um pouco mais velho e rockeiro não falava tão bem. Isso me forçou a aprender mais algumas palavras em francês! E como ele é descendente de italiano, misturávamos numa frase inglês, italiano, francês e português e era só risada!

Fui tão bem recebido em Lion que quase não quis ir embora! Fiquei 3 dias e basicamente fui mimado o tempo todo! Me levaram para conhecer a cidade histórica, que foi famosa por séculos pela sua produção de seda (até que a produção chinesa inviabilizou a indústria local), as várias catedrais (a de São João Batista, localizada num dos pontos mais altos da cidade), as pequenas vielas que cortam os bairros antigos.

Eles me explicaram que os alemães durante a segunda guerra, tiveram uma dificuldade enorme em perseguir os judeus e a população local, por um simples fato arquitetônico muito interessante: cada casa, possui duas ou mais saídas. Imagine então, uma cidade com aquelas ruas assimétricas e pequeninas com chão de paralelepípedos. Você entra numa casa e fecha a porta para que o soldado que te persegue não entre. Ele acha que mais cedo ou mais tarde você terá que sair de lá… Enquanto isso, você abre outra porta que dá acesso a outra rua e bazinga, foge para sobreviver mais um dia!

A cidade é cortada por um rio super lindo e grande, o famoso Ródano! Uma das minhas partes favoritas foi caminhar ao longo do rio que possui um trecho largo de jardim entre a margem e a avenida mais próxima. Você segue caminhando sentindo sudoeste do rio e chegará à confluência dos rios Ródano (Rhone) e o Saone! Ali, na pontinha da ilha que se formou foi construído um museu lindo, Museu da Confluência onde você poderá visitar exposições de ciências naturais muito interessantes.

O ponto alto dessa viagem, acho que foi o dia que ofereci para cozinhar para meus anfitriões!Roland fez questão de me levar para fazer as compras próximo de uma casa de queijo (Fromagerie) super famosa. Primeiro fomos ao mercado logo em frente e comprei legumes para fazer a macarronada e um bom vinho da região! Na sequência entramos no paraíso dos queijos franceses (estou salivando só de lembrar)… Eles compraram alguns tipos de queijos locais que eu deveria provar e fomos para casa! Eu já estava feliz, pesando que iria fazer como no Brasil: enquanto cozinhava, o queijo seria um aperitivo… Grande engano, que bobinho que eu sou!! hahahahaha Diferentemente da gente, o queijo lá é quase o prato principal! Você come primeiro o que for cozinhar e depois o auge, crème de la crème!!!

Terminado o vinho, os queijos, as histórias, era hora de ir dormir, pois meu vôo pra Hamburgo era as 6 h da manhã e querido Roland havia se prontificado em me levar as 4:30h da madrugada…

Até a próxima galera!

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