Como escolher uma bicicleta para fazer um triathlon Xterra

O mundo do Xterra pode ser assustador para um triatleta de asfalto, correr em trilhas, pedalar no meio do mato. Minha primeira prova de triathlon cross-country foi em 2000 e naquela época ninguém poderia imaginar que o negócio cresceria tanto, a ponto de termos um circuito brasileiro de Xterra com várias provas ao longo do ano e o pior, um Campeonato mundial de Cross-Triathlon reconhecido pela ITU.

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Apesar de já termos escrito um bocado de artigos sobre Xterra com entrevistas com os campeões da modalidade, e alguns artigos com dicas para o xterra, por sugestão do amigo Xampa decidi escrever um artigo com dicas para escolher sua primeira bicicleta de mountain bike (Vai que eu consigo converter mais um!). Antes de tudo é preciso esclarecer algumas diferenças entre as chatas delicadas bicicletas de speed e as mountain bikes (ou BTTs para os nossos amigos portugueses). Veja a tabela abaixo. mtb vs speed Grupo: Assim como nas speeds as marcas dos grupos de MTB mais comuns são Shimano e SRAM. Comprar uma bicicleta com menos do que Shimano Deore ou SRAM X7 é besteira, pois o grupo não irá durar muito tempo com suas pedaladas nas trilhas e não irá funcionar legal sob condições extremas. No MTB os grupos mais tops além de serem mais leves, são mais duráveis e funcionam melhor sob condições extremas como mudanças forçadas, lama, chuva, trepidação, o que faz com que sua bike funcione melhor, tão melhor forem suas peças.  Comparado com um grupo de speed, um grupo melhor nas MTB faz muito mais diferença.

comparação entre os grupos de MTB
Tabela de comparação entre os principais grupos de MTB

Freios: No MTB existem 3 tipos de freio. Os freios a disco mecânicos. Fuja deles a qualquer custo, são ruins, pesados e não funcionam. Os V-brakes que são mais antigos mas ainda são encontrados. Os freios a disco hidráulicos, é minha sugestão, pois eles funcionam otimamente bem e valem o quanto custam em termos de performance, capacidade de frenagem e conforto. Num freio a disco conseguimos freiar sem ter que fazer tanta força o que em decidas cumpridas é um ótimo negócio, além disso possibilitam que pilotemos com apenas um dedo no freio.

Suspensão: As supensões chegaram e conquistaram seu espaço no MTB, apesar de que existem alguns puristas que defendem o uso de garfos rígidos. As melhores suspensões são do sistema ar/óleo.  Para o Xterra (e o cross-country em geral) é recomendado um curso de 80-100mm. As suspensões normalmente possuem um sistema de trava, que serve para tornar a suspensão rígida em alguns momentos como em subidas ou no asfalto. As travas podem ser na própria suspensão, ou no guidão (o que possibilita travar a suspensão sem tirar a mão do guidão) e existem ainda as suspensões inteligentes que identificam corretamente o terreno e se travam ou se soltam automaticamente sem que o ciclista tenha que se preocupar com ela.

29ers e Aro 27,5: As bicicletas de aro 29 estão se tornando a grande maioria nas provas. Acho que elas são uma tremenda vantagem e penso também que elas serão o presente e o futuro do MTB. Saiba mais em As vantagens das bicicletas aro 29. Mais recentemente surgiram no mercado as rodas 27,5, que prometem as mesmas vantagens das aro 29, com menos peso.

Eu tive a chance de andar alguns milhares de quilômetros com aros 29 e com uma aro 27,5″. Atualmente estou andando com uma bicicleta aro 27,5 e estou muito feliz. Recomendo sempre você testar os dois tamanhos de roda para descobrir o que você mais gosta. Não vá na conversa dos outros antes de testar!

Full-suspension: São um pouco mais pesadas e mais caras que uma bicicleta de rabo duro (hardtail), exigem mais manutenção, mas em termos de performance são melhores. Se estiver couber no seu orçamento, vale a pena. Saiba mais em Full suspension vs Hardtail

Tubeless: Essa foi uma das maiores invenções do esporte. O sistema de tubeless permite que se use um pneu sem camara de ar, e em conjunto com um líquido selante que é inserido dentro do pneu, faz com que, caso o pneu furo, o líquido vede o furo. Eu uso tubeless desde 2008 e nunca mais furei um pneu desde então. Existem algumas rodas próprias para tubeless e existem também kits de conversão, os dois funcionam sendo o último um pouco mais barato.

Dica Extra

Posicionamento: Depois de escolher a bicicleta ideal para você, tente obter o melhor posicionamento possível na bicicleta fazendo um bike fitting (Leia mais em Para que serve um bike fitting?). Um bom bike fitting, fará com que você consiga maximizar o seu rendimento e conforto na bicicleta e com isso não so melhorar sua performance como também diminuir o risco de vir a sofre lesões no futuro decorrentes do mal posicionamento.

Bons treinos!

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13 comentários sobre “Como escolher uma bicicleta para fazer um triathlon Xterra

  1. Rodrigo, obrigado pelo texto, com certeza ajudará muitos como eu.
    Tirou perfeitamente as minhas dúvidas.
    Tinha um receio grande de comprar uma bike com um grupo muito ruim e no final das contas não conseguir fazer nada. Já que na trilha a troca de marchas e a sujeira são coisas totalmente diferentes do asfalto.
    Eu já tinha visto um comentário sobre fugir dos freios a disco mecânicos e agora fechou totalmente.

    Agora, é pegar tudo isso e ver que bikes estão disponíveis no mercado. Me parece que não há com essa configuração e sempre vamos cair na necessidade de trocar algumas coisas.

    OBRIGADO !!!!!!

  2. Rodrigo, andei olhando as bikes por aí e dentro do meu orçamento ( R$ 2500,00 ) e da minha altura 1,96 ( 93 cms de cavalo), tenho duas opções que me parecem viáveis.
    A primeira é a Kona Fire Mountain Deluxe 2009 que está uns 2200/2500 e que tem um grupo Deore.
    A outra é a Specializaed Hardrock 29er, qeu tem um grupo inferior, mas que parece ser uma opção interessante para o meu tamanho.
    O que vc acha?

    ABS !!!

    1. Apesar da configuração de peças um pouquinho inferior da Specialized eu ficaria com ela, já que seu quadro é muito superior que o da Kona. Além é claro, de ser uma 29er, que é melhor.
      Vale lembrar que o Ned Overend ganhou o mundial de MTB single Speed do ano passado com um quadro desses (http://www.bikeradar.com/gear/article/pro-bike-ned-overends-specialized-rockhopper-sl-singlespeed-27076/).
      Com o tempo vc troca os freios por hidráulicos e bota um cambio traseiro melhor, e assim terá uma ótima bike pra muito tempo!
      Espero ter ajudado!

  3. Rodrigo,
    vc nao vai acreditar? Mas, as coisas mudaram da noite pro dia, depois que postei essa pergunta. Vou ser pai de novo e aí o orçamento e mais um monte de desejos foi pro brejo, hehehehe.
    Agora, estou de olho em uma outra bike e gostaria de mais uma avaliação sua. É a Giant Revel 2, falam que o quadro é muito bom, o grupo é fraco, nao tenho noção da suspensão e vem com V-Brake.
    Mas, como a idéia é mais andar em trilhas leves, vir para o trabalho de bike e usa-la para ir ao super e coisa e tal. Parece ser uma bike que se sustenta.
    Até porque com dois filhos novos, a minha idéia de participar de um Xterra vai ficar adiada por uns 4 anos e até lá eu me viro com essa.
    O que vc acha? Ela está por uns 1700 reais.

    ABS !!!!!

  4. Ontem estive na loja de bikes padar uma olhada e tal.
    A Giant Revel 2 sai por 1700 e o cara me ofereceu uma TREK 3900 Disc por 2mil.
    Pareceu interessante, mas fiquei perdido de novo. Ah, a Trek é tamanho 22.5, acho que é o meu número, já que tenho 93 de cavalo.

    ABS !!!!

  5. Rodrigo,
    perguntei a um cara de SP, o LODD, qual seria a perda de velocidade em uma MTB.
    Comparei um cara que faz 30 de média em uma prova de short tri com uma speed e qto ele perderia se usasse uma MTB. Ele achou complicado fazer uma avaliação, mas deveria ser uns 8%.
    Achei interessante isso. A speed é uma bike muito específica e a MTB é muito, mas muito mais versátil.
    Ter uma speed para fazer provas de short por causa de 8% de velocidade a mais me parece uma grande besteira, nao?
    Rumo as MTB´s !!!

    1. André, muita coisa influencia o rendimento.
      Acredito que quanto mais difícil for o percurso (mais curvas, mais subidas) mais a MTB se aproxima da speed. Mas para um atleta que quer curtir, ou está preocupado com seu próprio desempenho, acho que a solução é boa.
      Eu corri uma vez o short triathlon de pirassununga de MTB por farra e consegui ficar em Sexto (perdi o podim por alguns segundos). Sofri muito, mas consegui me manter quase 15km no primeiro pelotão, até que alguém gritou – “CARA@$%, vamos revezar, tem até um cara de MTB no pelotão! – aí minha alegria acabou!
      De qualquer forma uma das minhas metas esse ano é ter uma bike só (hoje tenho 2 MTBs, uma speed e uma beach cruiser). MInha bike nova será uma 29er com dois pares de roda, um par de roda de speed com freios a disco (é do mesmo tamanho!) e um par de roda pra terra!
      Ia guardar segredo, mas não aguento. Não perca o post de amanhã!

  6. Ótima idéia a sua.
    Vc quase beliscou um podium de MTB?
    Veja, pra que speed?
    ABS !!!!!!

    Aproveitando, eu marco para me avisar qdo houver comentario no post, mas nao recebo nada. Ok?

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